A Apeoesp ingressou com representação no Ministério Público de São Paulo contra a dirigente regional de ensino de Mogi das Cruzes, Roselaine Batalha Silva, para quem sejam tomadas as providências cabíveis em função de palavras elogiosas que teceu a ditadores fascistas e nazistas. A iniciativa do Sindicato foi tomada após denúncia do fato ser veiculada nas redes digitais da deputada estadual Professora Bebel (PT), presidente licenciada da Apeoesp, que fez duras críticas à dirigente, que ocupa cargo de confiança do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O fato teria ocorrido em reunião online com diretores de escolas, no último dia 12 de agosto, quando a dirigente Roselaine Batalha Silva disse que são “estimulantes” biografias como as de Adolph Hitler, ditador nazista alemão que promoveu o holocausto de 6 milhões de judeus na Europa; Benito Mussolini, responsável pela ascensão do fascismo na Itália, com feroz repressão e perseguição a educadores, artistas e intelectuais, e Antônio Salazar, ditador português que prendeu, torturou e matou milhares de opositores e promoveu massacres nas colônias africanas.
Na reunião, a dirigente afirmou que "líder não é alguém a quem foi dada uma coroa, sinto informar. Podem ler biografias no geral, é estimulante ler biografias, mesmo das más. Salazar na Espanha (na verdade, António de Oliveira Salazar foi ditador de Portugal entre 1933 e 1968), Mussolini na Itália. Mein Kampf, Minha Vida', do Hitler, é tão estimulante [que] se eu tirar o nome, ele convence países, jovens e nós até hoje. Por isso que ele foi proibido a reprodução. Mas a gente sabe qual era o caminho de Hitler. Mas ele era um líder excepcional, isso ninguém pode negar", prossegue.
Em nota, a Apeoesp, o maior sindicato de trabalhadores da América Latina, repudiou essas declarações, e reafirma seu compromisso com a democracia e lamenta que o governo Tarcísio de Freitas mantenha e normalize em cargo de confiança pessoa com este tipo de pensamento. “Lamentavelmente, diretores, professores, funcionários e estudantes vivem cotidianamente situações de autoritarismo e assédio, semelhantes ao vídeo que está sendo veiculado nas redes sociais, no qual a citada dirigente faz cobranças em tom que sobrepõe a hierarquia a qualquer tipo de diálogo, imprescindível num ambiente educativo”, destaca a nota da Apeoesp.
Na ação, a Apeoesp defende que a figura de Adolf Hitler não foi usada pela dirigente de ensino, que foi afastada do cargo, apenas como personagem histórico, mas "mobilizada no curso de uma exposição destinada a apresentar características atribuídas à liderança, chegando-se a qualificá-lo expressamente como líder excepcional".
Para a deputada Professora Bebel, “é inadmissível e revoltante que uma dirigente de Ensino, em reunião da Secretaria da Educação, cite como exemplos de liderança ditadores e autores de crimes contra a humanidade, como essas figuras de extrema-direita a quem se referiu a senhora Roselaine", declarou.